INMETRO, WLTP e EPA: entenda as métricas de autonomia dos elétricos

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Você já notou que um mesmo carro elétrico pode anunciar 500 km de autonomia na Europa, mas apenas 350 km no Brasil? E já percebeu que, logo após uma declaração oficial de autonomia, alguma dessas siglas aparece: WLTP, EPA ou INMETRO?

Essa discrepância de autonomia não é um erro de cálculo ou piores condições do asfalto nacional, mas sim o resultado de diferentes metodologias de teste, no que consistem as siglas mencionadas acima. Aqui vão algumas das maiores diferenças presentes em cada métrica:

WLTP

O Worldwide Harmonised Light Vehicles Test Procedure (WLTP) é o padrão utilizado na Europa e o mais aceito globalmente. Ele surgiu para substituir o datado NEDC, que teve sua última atualização em 1997, trazendo simulações de cidade e estrada.

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Como é feito

O teste dura cerca de 30 minutos e percorre 23 km em um dinamômetro, com velocidade média de 46,5 km/h; máxima de 131 km/h; 52% simula o ambiente urbano e 48% de estrada. Embora seja uma evolução do antigo NEDS, o WLTP ainda é considerado bastante otimista. No mundo real, é comum que a autonomia seja 10% a 15% menor do que o número WLTP, especialmente se muitos recursos eletrônicos forem utilizados, como ar-condicionado ou aquecedores de banco.

EPA

A Environmental Protection Agency, ou EPA, é a agência que regula os testes nos Estados Unidos, famosa por ter “a métrica mais rigorosa do mundo”.

Como é feito

O teste também é feito em dinamômetro, porém um grande diferencial é o sistema HVAC, que testa configurações diferentes de aquecimento, ventilação e ar-condicionado em 5 cenários simulados diferentes:

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  1. Teste urbano — sem funcionamento de aquecimento, ventilação ou ar-condicionado (HVAC).
  2. Teste em rodovia — sem operação do sistema de climatização (HVAC).
  3. Teste de alta velocidade — sem operação do sistema de climatização.
  4. Teste quente a 35°C — sistema de climatização configurado para resfriar a cabine.
  5. Teste frio a -7°C — sistema de climatização configurado para aquecimento e degelo.

INMETRO

O Programa Brasileiro de Etiquetagem Veicular (PBEV) do Inmetro adotou uma postura conservadora para evitar que o consumidor brasileiro fosse induzido ao erro, seguindo um código de ética próprio e não regular em outros testes.

Como é feito

O Inmetro utiliza o ciclo de testes da EPA ou o WLTP como base, mas aplica um fator de correção fixo de 0,7 (redução de 30%) sobre o resultado, tornando o número do Inmetro obrigatoriamente mais baixo que os outros. O objetivo é garantir que, mesmo no pior cenário com trânsito pesado, subidas e utilização de todos os recursos eletrônicos no máximo, o carro entregue o que promete. Na prática, muitos motoristas brasileiros conseguem superar a autonomia divulgada pelo INMETRO, tornando muito difícil que o consumidor se decepcione na compra.

Comparação

Para visualizar a diferença, veja como um SUV elétrico médio, com bateria de 75 kWh, costuma ser classificado:

Padrão de TesteAutonomia Est.Perfil do Teste
CLTC (China)600 kmbaixas velocidades e pouca variedade de simulações
WLTP (Europa)500 kmmaior variedade; não considera recursos eletrônicos
EPA (EUA)420 kmmaior variedade e considera recursos eletrônicos (HVAC)
INMETRO (Brasil)350 kmaplica um fator de correção de 0,7 em cima dos testes globais

Qual é a melhor?

Na prática, os três métodos funcionam, porém com suas particularidades bastante evidentes. Se o objetivo é não se decepcionar, os valores divulgados pelo INMETRO são favoráveis. Porém, se o objetivo é considerar o resultado nativo obtido nos testes, o WLTP e o EPA são perfeitamente consideráveis. O importante é não comparar um valor divulgado por um com um valor divulgado por outro.

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Fonte: CNN Brasil Auto

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