Aavalanche de lançamentos de marcas e produtos chineses no Brasil têm como flagrante objetivo, inicialmente, o domínio do segmento de utilitários esportivos o maior do mercado interno, responsável por 58% das vendas de automóveis de passeio e destino da maioria dos esforços também das marcas ocidentais na última década.
Se a participação somada dessas empresas chinesas chegou a 17% em abril, considerando a montagem local e ainda pequena parcela de comerciais leves, somente na categoria de SUVs a presença já é bem superior.
Os licenciamentos acumulados nos primeiros quatro meses de 2026 indicam fatia ao redor de 21%. Isso considerando somente o ranking dos 40 modelos mais vendidos elencados pela Fenabrave em seu relatório de abril, fora o residual de outros tantos veículos.
Com a anunciada chegada para os próximos meses de novas marcas e ainda de maior número de modelos, a quase totalidade de utilitários esportivos, não é nada arriscado afirmar que as chinesas têm tudo para dominar, com facilidade, pelo menos um quarto das vendas ainda em meados de 2026. E talvez bem mais até o encerramento do ano.


Por enquanto, o maior “bicho-papão” de origem chinesa nos SUVs é parceria Caoa Chery, que dominou 6,1% das vendas do segmento até abril com seus veículos montados em Anápolis, GO. Muito próxima, por exemplo, da Hyundai (6,3%) e da dupla japonesa Honda e Toyota, que representaram 6,5% dos emplacamentos cada.
Mas outras chinesas estão rapidamente se aproximando dessa briga. Como a BYD, com modelos importados e nacionalizados, que já trafega pelo patamar de 5,5% de participação ou a GWM, que responde por 4,6%, à frente de marcas tradicionais, como a Renault, que, apesar do lançamento dos nacionais Kardian e Boreal nos últimos dois anos, não utrapassou 3,3% dos licenciamentos.


GWM: 4,6% de participação e à frente de marcas tradicionais.
BYD e GWM, portanto, disputam unidade a unidade com a GM, que tem ao redor de 5,8%, e Nissan, que mesmo com o reforço do bem-sucedido lançamento do Kait, acumula 5,3% das vendas.
Se nesse bloco intermediário a chegada de pelos menos mais quatro marcas chinesas deixá o cenário ainda mais indefinido nos próximos meses, entre as líderes o primeiro quadrimestre sinalizou que a Jeep tem enfrentado maiores dificuldades do que qualquer outra concorrente direta.
Fiat à frente da Jeep
Antes do provável desafogo que o lançamento, nas próximas semanas, do Avenger deve representar, a marca estadunidense deteve smente 9,4% dos licenciamentos do segmento de janeiro a abril. Em igual período de 2025, seu índice era de 12%.
A perda de 3 pontos porcentuais em doze meses foi a maior entre as marcas de maior volume no segmento. A líder Volkswagen, por exemplo, tem participação acumulada em 2026 de 19,5%, 3 pontos a mais do que no primeiro trimestre do ano passado, quando ainda não dispunha do Tera, hoje vice-líder do segmento, atrás somente de seu irmão de marca T-Cross.
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A Fiat tem 8,5% dos licenciamentos com a dupla Pulse e Fastback no quadrimestre. A desvantagem para a Jeep, igualmente pertencente à Stellantis, nunca foi tão pequena.


Avenger: lançamento para reverter curva.
Em abril, particularmente, a marca italiana apareceu à frente, com 8,7 mil licenciamentos contra 8,5 mil da Jeep. Como o segmento todo somou 106,6 mil unidades, a Jeep participou com somente 8% dos licencidamentos, uma fatia inimaginável há três anos.
A Jeep espera reverter a histórica ultrapassagem da Fiat rapidamente, com o Avenger e, mais ainda, estancar a evidenciada perda de participação de dois anos para cá, período em que as novas — chinesas em especial — e tradicionais concorrentes investiram maciçamente exatamente nas faixas de mercado onde a marca nadou de braçada em quase um década.
Foto: Divulgação
Fonte: Auto Industria

