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Nova onda de ações por escravidão na Fazenda Volkswagen: ex-trabalhadores exigem R$ 2 milhões em indenizações

16/12/2025 automoveis 0 comentários

A Volkswagen do Brasil volta a enfrentar o Judiciário por alegações de trabalho análogo à escravidão ocorridas em sua antiga propriedade rural na Amazônia. Quatro ex-trabalhadores da Fazenda Vale do Rio Cristalino, conhecida como “Fazenda Volkswagen”, no sul do Pará, entraram com ações individuais pedindo indenizações milionárias por danos morais e existenciais.

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Nova onda de ações por escravidão na Fazenda Volkswagen

Cada trabalhador reivindica R$ 2 milhões da montadora alemã, além do reconhecimento da imprescritibilidade do crime de trabalho análogo à escravidão no caso. As ações tramitam na Vara do Trabalho de Redenção (PA), com prioridade reconhecida pela Justiça devido à idade avançada das vítimas e à gravidade das violações relatadas.

Os autores das ações relatam um cenário de horror nas décadas de 1970 e 1980:

  • Aliciamento: Foram recrutados por intermediários com falsas promessas.

  • Endividamento Forçado: Ficaram presos à propriedade devido a débitos artificialmente criados, o chamado “cativeiro por dívida”.

  • Vigilância: Eram submetidos a vigilância armada, impedidos de deixar a propriedade antes de quitar as dívidas.

Nova onda de ações por escravidão na Fazenda Volkswagen – Foto: Washington Post

Este novo movimento judicial intensifica a pressão sobre a Volkswagen, meses após a empresa ter sido condenada, em agosto de 2025, a pagar R$ 165 milhões por dano moral coletivo — condenação essa que a montadora ainda tenta reverter via recurso.

Relembre o Caso: A Fazenda Oculta na Amazônia

O caso das violações trabalhistas na Fazenda Vale do Rio Cristalino (que chegou a ter uma área maior que o município do Rio de Janeiro, com mais de 139 mil hectares) permaneceu oculto por décadas, apesar de ter sido administrada por uma subsidiária majoritariamente controlada pela Volkswagen do Brasil.

A verdade veio à tona graças à persistência do padre e pesquisador de direitos humanos Ricardo Rezende Figueira. Em 2019, chocado ao perceber que a montadora se “redimia” por sua colaboração com a Ditadura Militar sem mencionar os abusos na fazenda, Rezende procurou o Ministério Público do Trabalho (MPT).

Leia aqui: O segredo sombrio da Volkswagen na Amazônia: Washington Post revela trabalho forçado

Fazenda Vale do Rio Cristalino – Foto: Washington Post

 

Ele entregou um dossiê com mais de mil páginas de evidências detalhadas, compiladas entre 1977 e 1987. O acervo, considerado riquíssimo pelo procurador Rafael Garcia, incluía depoimentos de dezenas de trabalhadores, relatórios policiais e judiciais que narravam a cruel realidade na Fazenda Vale do Rio Cristalino.

Os documentos revelaram que a liderança da subsidiária, que incluía o então presidente da Volkswagen do Brasil, Wolfgang Sauer, e o diretor de recursos humanos, Admon Ganem, atraiu centenas de trabalhadores sazonais e informais. Uma vez na remota propriedade em Santana do Araguaia (PA), os trabalhadores ficavam geograficamente isolados, enredados em dívidas, adoecidos pela malária e forçados a desmatar a floresta sob ameaça de violência. O objetivo era abrir espaço para a criação de gado.

A nova série de ações individuais busca não apenas a reparação financeira para os idosos sobreviventes, mas também uma responsabilização definitiva da montadora por um dos mais graves casos de violação de direitos humanos empresariais da história recente do Brasil.

Você acredita que as indenizações propostas são suficientes para reparar os danos de décadas de trabalho análogo à escravidão? Deixe sua opinião!

 



Fonte: Garagem 360

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